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|| DreamAchieve || Performance Coaching

Psicologia do Desporto e Performance || Coaching Desportivo e Executivo || Formação

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FORA DE CAMPO, DENTRO DE CAMPO...

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Há uns meses uma atleta perguntou-me qual era a relação que tinha a forma como ela resolvia os problemas com as pessoas fora de campo, com a performance que ela tinha dentro de campo.

 

Ela alegava que dentro de campo as coisas eram diferentes, que mesmo que estivesse chateada com alguém fora de campo, que dentro conseguia separar as coisas, porque todas queriam ganhar, e acabavam por estar todas para o mesmo.

 

Num mundo perfeito é isso que se pretende. Até acredito que a nível profissional se consiga deixar determinadas coisas fora das quatro linhas. A questão aqui é que o problema não é apenas o que poderia ficar prejudicado por uma situação não resolvida, e por profissionalismo não fica. A questão aqui é o que poderia ser construído se fosse.

 

Dizem as estatísticas que 40% das baixas de trabalho estão relacionadas a depressão ou problemas de ordem emocional. Estes por sua vez estão relacionados a duas coisas: Sentir-me útil e competente, e a relação que tenho com as pessoas com quem trabalho.

 

Acrescentando que obviamente me sinto mais competente quando, além do trabalho em si dá frutos, tenho também um feedback positivo das pessoas com quem estou.

 

Funciona também ao contrário... Posso ter mais feedbacks positivos por ser competente... Mas todos sabemos como é difícil elogiar o trabalho de alguém que não gostamos, ou com quem temos algum problema por resolver.

 

Em que é que tudo isto se relaciona com desporto?

 

Relaciona-se no ponto em que treinamos para alcançar o máximo do nosso potencial, para sermos o melhor que podemos, para não chegarmos ao fim e percebermos que podíamos ter feito isto ou aquilo a mais, ou que podíamos ter sido isto ou aquilo diferente, ou podíamos ter chegado mais longe. O que queremos é, dentro do que poderia ter feito, fazer tudo.

 

Será isto possível sem me relacionar bem com as pessoas à minha volta? Será isto possível sem um bom ambiente dentro de campo? Será que dou tudo por um grupo com quem não me sinto bem?

 

Dizem que é diferente, dentro e fora... não é! Quando o grupo é forte fora, nota-se dentro. Há algum mal em eu não estar a 100% com outra colega de equipa? Talvez não... Talvez seja normal hoje em dia...

 

Mas se falamos em alcançar o máximo potencial, é, a meu ver, essencial, a capacidade de resolução de problemas. Não apenas táticos, mas também pessoais.

 

Se partirmos do princípio em que eu perco a motivação para fazer aquilo que não me dá realização pessoal, e a realização pessoal está diretamente ligado à relação que tenho com as pessoas com quem trabalho, treino e jogo, e a motivação mexe diretamente com a minha performance... Temos a resposta à pergunta da atleta de quem eu falava no início.

 

E talvez também a alguma pergunta que tu possas ter...

SERÁ QUE VOU FALHAR?

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Tenho trabalhado com muitos atletas que me dizem o seguinte: "Acho que as coisas estão a correr bem. Não faço nada de extraordinário, mas também não faço nada de mal." Eu pergunto: "Isso é correr bem?" Eles respondem: "Secalhar não!.."

 

Tudo isto pelo medo de falhar. Das coisa que mais digo aos atletas é que normalmente o hábito é treinar e fazer preparação para que tudo corra bem, mas em algum momento as coisas vão correr mal. Quem souber lidar melhor com o fracasso, é quem chega mais longe. Lidar principalmente com duas coisas: Com o facto de que o fracasso, na maioria das vezes, ensina-nos mais que as vitórias. E que o fracasso é sempre algo intermediário com as conquistas.

 

Isso quer dizer que no processo de busca pelo desenvolvimento, pelo crescimento, pela evolução, vão haver falhanços. E estes não têm que ser necessariamente maus.

 

Nos meus primeiros anos de basquete, jogámos contra uma equipa excessivamente fraca. Fraca mesmo. O primeiro jogo que fizemos contra elas ganhámos 72-2. Sim, não leram mal. As miúdas só conseguiram marcar 2 pontos. Coitadas... Além disso, dos 72 pontos da minha equipa eu marquei 70. Não devo ter falhado muito.. E os que falhei provavelmente ganhei o ressalto ofensivo e marquei depois.

 

Ou seja, o que é que havia para corrigir ali? O que havia para evoluir? Ainda que me dissessem alguma coisa, será que eu ia prestar atenção? Nós prestamos mais atenção quando falhamos!

 

Na segunda volta do campeonato, fomos jogar a casa delas, das "fracas". Não me perguntem o que aconteceu, até porque não me lembro muito bem, mas provavelmente, elas por terem falhado tanto contra nós, foram treinar, treinar e treinar. Enquanto nós estávamos super tranquilas com este jogo. Perdemos por 2 pontos. Já disse para não me perguntarem o que aconteceu...

 

Será que falhar no primeiro jogo foi assim tão mau para elas? Quem evoluiu mais?

 

Pensar que é melhor não tomar nenhuma atitude, porque assim pelo menos não se faz asneira, creio que é, diria eu, o motivo principal de tantas oportunidades perdidas. Oportunidades de evoluir por lado, e oportunidades de mostrar quem és por outro lado.

 

Quantas vezes podias ter ido e não foste? Quantas vezes te arrependeste de não arriscar? De não ter mostrado o teu valor?

 

Se errares, mais rápido é corrigires esse erro, do que ficares à espera que algo aconteça do ar, por não arriscares.

 

O que vai acontecer é que, por causa do medo, que é uma cena que nem existe, são apenas coisas que imaginas que poderão ou não acontecer, a oportunidade que era para ser tua, vai ser aproveitada por outro. Não sei bem se é isso que queres...

 

Então respondendo à pergunta do título... Será que vais falhar? Sim, vais! Mas isso é assim tão mau?

 

Até para a semana!

ENTREVISTA: CAROLINA GONÇALVES

 

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Esta semana a DreamAchieve teve oportunidade de entrevistar Carolina Gonçalves, atleta internacional que, além de ter tido um papel crucial no Europeu de sub-20 feminino, foi também a segunda melhor marcadora da competição (média de 20 PTS), e a jogadora com mais roubos de bola (média de 3 RB).

 

DA: Carolina, por onde foi o teu percurso desportivo até hoje?
CG: Iniciei o meu percurso desportivo com 14 anos no Sport Algés e Dafundo, um clube com uma grande formação, onde estive até aos meus 18 anos. No Algés tive oportunidade de trabalhar com excelentes treinadores e colegas de equipa, com quem conquistei vários títulos, em especial 3 campeonatos nacionais.

 

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De seguida ingressei na Quinta dos Lombos, onde disputei 2 campeonatos no escalão de sénior. Fui campeã distrital e vice-campeã nacional de sub-19.
Ao nível das seleções nacionais iniciei o meu percurso nas sub-16, com o título de vice-campeãs da Europa na divisão B, tendo no meu currículo mais 4 participações em campeonatos Europeus de sub-18 e sub-20.

 

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DA: Tens representado com grande sucesso a Seleção Nacional, prova disso foi o grande Campeonato da Europa de Sub-20 que acabaste de realizar.
O que significa para ti vestir as cores nacionais?
CG: É o culminar do trabalho de uma época, representar Portugal é sem dúvida o ponto mais alto da carreira de qualquer atleta. Sinto, sempre, um enorme orgulho, honra e privilegio, ao vestir as cores nacionais. A emoção que sinto ao cantar o hino dentro de campo é algo indescritível.

 

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É também uma grande responsabilidade porque estás a representar o basquete feminino português, e podes servir de inspiração para que as gerações seguintes continuem a trabalhar. Por outro lado, o facto da competição ser uma das minhas maiores motivações, faz com que poder jogar contra Espanha, França ou Itália, e contra as jogadoras que serão o futuro do basquetebol europeu, seja uma oportunidade incomparável.

 

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DA: Como já referiste publicamente, tiveste uma época com muitos desafios e obstáculos, mas vimos que superaste essa fase neste Campeonato Europeu. Terminaste como a segunda melhor marcadora da competição, e foste a jogadora com mais roubos de bola.
Que mentalidade te fez persistir?

CG: Sem dúvida que foi difícil. Houve momentos em que a vontade de desistir era maior que a de continuar. Foi uma época em que joguei pouco, pois estive seis meses sem competir, e outros três em que senti que não tive tantas oportunidades quanto gostaria para demonstrar o meu valor. Sentia que não era eu mesma. Saber que podia ser e fazer mais, destruía-me por dentro.

 

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O papel da Nádia Tavares foi crucial na transição dos meus pensamentos negativos para positivos. Desde então procurei ter uma atitude totalmente diferente. Perante as dificuldades foi fundamental levantar a cabeça, ter as prioridades bem definidas e trabalhar muito para alcançar os meus objetivos e os da equipa. Acreditar no meu valor foi decisivo para que me conseguisse superar neste Europeu. Porém quero destacar a importância do trabalho de todo o grupo, sem elas teria sido impossível alcançar estes feitos.

 

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DA: Na tua opinião, que características são necessárias para se ser uma atleta de destaque?

CG: Para além de algumas competências físicas, para mim é muito mais importante a preparação mental e o acreditar em nós próprios, tenho a certeza que estes dois elementos são a base do sucesso dos super atletas.

 

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Temos que ter igualmente a ambição de querer ser melhor dia após dia, e de não deixar que o sucesso de um dia faça com que descanses no próximo.

 

É também determinante ter a humildade para aceitar que estamos em constante aprendizagem e assim continuar a crescer e a evoluir como atletas e pessoas.

 

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Além disso é fundamental gostar de treinar e competir. E por fim, mas não menos importante, termos disciplina para cuidar do nosso corpo.

 

DA: Quão importante achas que é o trabalho em equipa?

CG: A melhor maneira de responder a esta pergunta é falando sobre o Fight Club 2017, a Seleção Nacional de sub-20 com quem estive neste Europeu.

 

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Éramos um exemplo de entreajuda, cooperação e superação.Isso fazia-nos sentir seguras ao entrar em campo e saber que tínhamos 12 jogadoras e todo um Staff a lutar pelo mesmo.

 

Fomentar a união e um bom espírito de grupo foi determinante para que se concretizassem os objetivos delineados.

 

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DA: A DreamAchieve promove a importância do Treino Mental, e aborda temas relacionados a superação, reação ao erro, motivação e outros... Para ti pessoalmente, qual a importância desta temática na tua vida quotidiana, e como atleta?

Posso falar da minha experiência pessoal. Através do Treino Mental comecei a conhecer-me melhor. Ganhei uma noção mais clara das minhas características, dos meus pontos fortes e dos meus pontos fracos. Isso fez com que a minha reação ao fracasso fosse totalmente diferente, porque aprendi a lidar comigo.

 

Consequentemente as minhas motivações aumentaram, e perdi o medo de sonhar alto.

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Falhar faz parte do processo de crescimento, quando eu percebi isso o meu foco deixou de estar no que eu poderia fazer de mal, para o que eu poderia fazer de bom.
Além disso, mudei totalmente de perspetiva em relação a tudo aquilo que me tinha acontecido de menos positivo. Consegui ver que, mesmo não tendo sido bom aos meus olhos, havia aprendizagens pelo meio que me serviam para o presente e para o futuro, porque iria saber lidar melhor com as adversidades daí para a frente. Aprendi a focar-me no que está nas minhas mãos, e como não posso mudar o que está para trás, apenas posso tirar lições de vida das coisas que já aconteceram.

 

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DA: Que mensagem queres deixar aos atletas que te admiram?

CG: Em primeiro lugar quero agradecer o apoio que sempre me dispensaram e dizer que continuarei a trabalhar para merecer o vosso respeito e admiração.

 

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Quanto a vocês, nunca desistam dos vossos sonhos por muito difíceis que possam parecer. Não permitam que um momento menos bom vos faça desviar do vosso caminho. Se o vosso foco estiver no processo, nenhum resultado negativo vos irá abalar.

 

É essencial terem uma mentalidade vencedora e uma vontade indomável de conquista.

 

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Numa frase diz-nos:

O que não pode faltar na tua vida: Família

 

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Pessoas importantes no teu percurso: Catarina Coelho, Ricardo Vasconcelos, Nádia Tavares e Eugénio Rodrigues.

O que mudarias em ti: Nada. Sou feliz assim.

Além de carreira no desporto, o que mais queres desenvolver: Psicologia Desportiva.

Frase que te caracterize: “When you’ve got something to prove, there’s nothing greater than a challenge.”

 

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Podes seguir a Carolina Gonçalves no Instagram e no Twitter

 

 

 

 

Segue-nos no Facebook da DreamAchieve 

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UM FOCO, DOIS FOCOS, TRÊS FOCOS...

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Quando eu era junior, tínhamos todas as potências do basquete português daquela idade, as melhores jogadoras do país... mas havia rivalidade.

 

No final do treino perguntei a uma colega de equipa no que estava a pensar... Ela disse: "Pah, perdi imensas bolas hoje..." Decidi perguntar a outra: "Só levo na cabeça, devo estar a fazer tudo mal..." E a outra só por diversão: "Não meto uma bola." E só mais uma para fechar:" Estou com medo de que não me metam jogar."

 

Resumindo... Uma está lá, outra além, outra ainda mais longe... Pergunto-me: Quando estaremos todas a pensar no mesmo?

 

No último dia do campeonato, na final four nacional, se perdêssemos ficávamos em quarto lugar, se ganhássemos ficávamos em primeiro. Fomos a prolongamento, um jogo espetacular. Mas cada uma das "potências" só pensava em si, o os pais das "potências", não queriam saber o que era preciso para a equipa ganhar, só queriam que as filhas jogassem. Mas não podem jogar 12 ao mesmo tempo...

 

A dada altura, numa bola fora, naquele meio segundo em que o jogo está parado, olho à volta... Pavilhão cheio! A bancada acima do banco da equipa adversária tinha uma claque incansável, e tinha um dos adjuntos com fones a comunicar com o adjunto do banco.

 

Do nosso lado, gente sentada a ver o jogo como se fosse cinema, atletas no banco chateadas por não jogar, em vez de puxar pelas que estavam dentro do campo, só o meu treinador é que estava virado para o objetivo de ganhar.

 

Quando no final perdemos o jogo, perdi alguma da minha inocência, quando ouvi uma das minhas colegas de equipa a dizer que era bem feito para o meu treinador termos perdido, porque elas não tinha jogado.

 

Quando uma equipa tem um determinado potencial, mas ainda não conseguiu provar em factos que realmente o tem, basta fazer a seguinte pergunta a cada um dos que fazem parte do grupo: "Qual tem sido a tua principal preocupação?"

 

Apesar de eu não gostar muito da palavra "preocupação", se ela existe é porque alguma utilidade tem, e acredito que este seja um dos casos.

 

Quando fazemos esta pergunta o que acontece é que um diz que está preocupado com uma coisa, outro com outra, e outro com outra. Ou seja, existem tantos focos como pessoas. Mas a palavra foco, por si só, já determina que seja apenas uma coisa. Como podemos ter equipa com 50 focos diferentes?

 

É aí que eu deixo de acreditar no talento, no jeito, na altura, na velocidade, na força física... Tudo isto desaparece quando o grupo não está unido no mesmo foco!

 

Mas quando no grupo todos se "esquecem" de si mesmos e o foco é só um, a equipa e o objetivo coletivo, aparece talento que não existia, velocidade que não havia, altura que não se tinha, e resultados que não se esperava.

 

Para chegar a este ponto é necessária muita superação pessoal, mas será que não vale a pena a recompensa?

 

Deixo a resposta ao critério desta foto da seleção nacional de sub-20 femininos, tirada na semana passada, no momento em que conquistaram a manutenção na Divisão A.

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Já agora, o foco delas, era só este... A equipa!

 

Até para a semana

ENTREVISTA: NUNO MANAIA

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Esta semana a DreamAchieve esteve à conversa com Nuno Manaia, considerado o Treinador do Ano da Liga Feminina, e que esta época conquistou pelo GDESSA (Grupo Desportivo Escola Secundária de Santo André) a Taça de Portugal e o Campeonato Nacional. 

 

DA: Nuno, conta-nos como foi o teu percurso como treinador? 

NM: Dei o meu 1º treino a uma equipa de Sub14 Femininos no CIBA em 1996, por brincadeira, pois não tinham treinador na altura. Foi "amor à primeira vista", pois adorei aquela 1ª experiência. Continuei pelo CIBA nos anos seguintes, treinando Sub-16 e Sub19 e conseguimos alcançar excelentes resultados para um clube de pequena dimensão, com diversas presenças nas Fases Finais dos Campeonatos Nacionais  e alguns títulos regionais de Lisboa.

Segui depois para o Algés onde estive 2 anos com as Sub-19. Era um clube onde a exigência era maior e onde pude trabalhar junto de outros treinadores, trocar impressões com eles. Foi importante para o meu crescimento como treinador.

Depois mudei de residência para o Pinhal Novo e surgiu o convite do GDESSA, que decidi aceitar.

Enquanto estive na liderança do GDESSA penso que cumpri o meu papel, pois criámos uma filosofia de jogo muito própria, que nós conhecíamos muito bem e também os nossos adversários sabiam o que iam encontrar. Foram 12 anos inesquecíveis, não só pelo basquetebol, mas também pelas amizades que criei com todo o "staff" e atletas.

 

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DA: Todas as equipas que treinaste ao longo dos anos, adquiriram uma capacidade de superação fora do normal, são sempre muito ativas e jogam com muita garra. Que princípios aplicas no treino de uma equipa? 

NM: Concordo com essa apreciação.

 

A minha liderança sempre foi baseada no exemplo, se quero que as minhas atletas se empenhem, eu próprio tenho que dar 100% de mim para poder pedir-lhes o mesmo.

 

A palavra Superação faz parte do dia-a-dia, pois queremos sempre mais. Em suma, o jogo é o reflexo do treino. 

 

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DA: Na tua opinião, quais são as características mais importantes de um atleta? 

NM: Existem um conjunto de características que são fundamentais, e quando não se conjugam, dificilmente teremos um grande jogador ou jogadora. Um atleta pode ter muito talento, mas pode-lhe faltar atitude, ambição, poder de concentração, conhecimento, etc, etc. Julgo que quando estes fatores que referi se conjugam, temos um grande atleta.

 

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DA: Que lições da profissão de treinador, levas para a tua vida? 

NM: Muitas, muitas mesmo. Treinar uma equipa é um trabalho de construção muito complexo, em que nem todos pensam ou executam da mesma forma. Treinar um atleta e vê-lo uns anos mais tarde a ter sucesso é fantástico, é um pouco de nós que está ali. A vida fora do Basquete também tem situações semelhantes, como por exemplo aquilo que ensinamos aos nossos filhos, as regras que lhes vamos transmitindo, ou seja, vamos construindo a sua educação.

 

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DA: Este ano alcançaste dois grandes feitos no clube que treinaste (GDESSA): conquistaram a Taça de Portugal e o Campeonato Nacional. Nesta sequência foste eleito o Treinador do Ano da Liga Feminina, pela ANTB. Considerando que és um treinador de referência, o que aconselhas aos treinadores que estão em início de carreira? 

NM: Não sei se sou um treinador de referência, mas já percebi que outros treinadores me perguntam agora mais coisas do que o que faziam há uns anos atrás. Penso que primeiro devem gostar do jogo e sacrificar-se por ele. Devem estudar o jogo, aplicar esse conhecimento gradual todos os dias no treino/jogo. Não devem "empurrar" as culpas para os outros, por mais desapontados que estejam com os resultados obtidos. Devem sempre olhar primeiro para si e para o seu grupo de trabalho, de forma a perceber o que se pode corrigir para numa próxima oportunidade terem sucesso.

 

A humildade é um aspeto decisivo num treinador.

 

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DA: A DreamAchieve promove a importância do Treino Mental, através da Psicologia Desportiva e do Coaching. Na tua opinião, qual a importância destas da componente mental na performance de um atleta?

NM: Esta é uma área ainda pouco explorada no desporto, nomeadamente no basquetebol em Portugal. Eu próprio não sou um conhecedor desde tipo de treino. Tenho as minhas ideias, mas também preciso de aprender mais sobre esta vertente que está agora a aparecer de uma forma mais evidente na nossa modalidade.   

 

Não tenho dúvidas que a componente mental é decisiva na "performance" dos atletas.

 

Quando um jogador se consegue abstrair de outros fatores e consegue-se focar na sua tarefa, neste caso no jogo ou no treino, o seu rendimento vai ser substancialmente melhor.

 

DA: Além de treinador, és um elemento fundamental no departamento técnico da Federação Portuguesa de Basquetebol, tendo acompanhado e observado centenas de atletas e equipas de outros países, e estando presente em dezenas de campeonatos europeus de todos os escalões. 

Com esta visão, o que acreditas que cada um (dirigentes, treinadores e atletas) pode fazer para melhorar o Basquetebol português? 

NM: Os agentes do Basquetebol devem-se focar primeiro naquilo que os próprios podem fazer para melhorar a sua intervenção na modalidade, naquilo que podem controlar. Por vezes existe a tendência de dizer que a culpa é dos outros e esse é o 1º passo para a desresponsabilização. Devemos todos assumir os nossos erros e tentar corrigi-los, pois será esse o caminho para um melhor Basquetebol.   

 

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Em uma frase diz-nos:

 

O que não pode faltar na tua vida: A família, claro.

 

Pessoas com mais influência na tua carreira: José Tavares, atual DTR de Lisboa, foi a pessoa que mais influenciou a minha carreira de treinador (nunca lhe disse). 

 

Se não estivesses ligado ao desporto, o que gostarias de estar a fazer: O desporto é a minha vida, nem sei o que responder.

 

Frase que te caracterize: Costumo dizer "Não faças o que te dá jeito, faz o que tem que ser feito"

 

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NEXT STEP!

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Ao começar a época no meu primeiro ano no CAB, estava ainda sem perceber o que me estava a acontecer. Estava a ter uma oportunidade espetacular. A jogar com grandes jogadoras a nível nacional, num grande clube, com um grande treinador.

 

O primeiro jogo do campeonato estava a chegar, e mesmo sem perder o sono (era impossível com a quantidade de treinos não ter vontade de dormir à noite), pensava como iria ser a minha prestação.

 

Já tínhamos tido a Super Taça (e vencemos), mas estava ansiosa para começar a época oficial, para ver se realmente conseguia dar conta do recado, ou se tinha sido um erro de casting.

 

O primeiro jogo foi conta o CPN, a Nascimento estava magoada, então entrei no 5 inicial, o que me deu imensa confiança. Não estava à espera, mas também não tive medo, fiquei ainda mais ativa e queria mostrar que pertencia àquela equipa.

 

Não me lembro do jogo, de nenhum momento em especial. Sei que no final, depois dos estiramentos, quase a chegar à porta do balneário, o Ricardo Vasconcelos aproximou-se e perguntou-me: "Sabes quantos pontos marcaste?"

 

Eu comecei a fazer contas de cabeça, a ver se me lembrava dos cestos que tinha metido... enquanto fazia a pesquisa mental ele, sério, interrompeu-me: "Marcaste 18 pontos!" Não tive tempo nem de sorrir, ele disparou: "Sabes o que isso quer dizer?"

 

Outra vez a refletir, pensei em dizer-lhe que queria dizer que eu era muita boa, mas sabia que isso não era do feitio do Ricardo. Sabia que ele queria dizer-me outra coisa. Sabia que ele procurava sempre algo que ninguém via, algo que se pudesse melhorar, sempre! Não encontrei resposta.

 

"Quer dizer que pontos sabes marcar, então agora é hora de te focares também noutras coisas. Na defesa que não está boa, no bloqueio defensivo que quase não existe, no ressalto que às vezes não vais... Continuar a trabalhar o tiro e melhorar, mas começar a pensar noutras coisas. Noutros objetivos. Ok?"

 

Deu-me uma palmada nas costas, daquelas pesadas que ele dá, e foi à vida dele.

 

Perguntaram uma vez a 3 atletas de salto com vara, o que eles pensavam mesmo antes do salto. Um deles era principiante, o outro experiente, e o outro do mais alto nível Olimpico.

 

O principiante disse - Penso na corrida, no posicionamento das mãos na vara, no momento em que ponho a cara no chão, no impulso, e em não tocar na vara que mede a altura.

 

O experiente disse - Penso no momento de colocar a vara no chão, e em não tocar na vara que mede a altura.

 

O olímpico disse - Penso em saltar mais alto.

 

Quando há certas coisas que já sabemos fazer, e se torna já quase automático, não é muito inteligente continuar a pensar somente nisso. Se queremos evoluir devemos introduzir novas coisas, novos desafios. O atleta olímpico já sabia fazer tudo o resto tão bem, que já saía de forma inconsciente. Então começou a focar-se noutras coisas, porque as primeiras já eram intuitivas.

 

Também cabe aos treinadores desafiar os atletas a isso, a encontrarem coisas novas para trabalhar, em vez de se focarem numa coisa apenas que eles saibam fazer.

 

No meu caso, sempre tive mais ou menos bem no ataque, e isso saltava à vista de muita gente. Mas tinham que haver mais treinadores como o que eu tive, que aplaudiu o meu ponto forte, mas focou o trabalho no ponto fraco.

 

Assim sendo, cada vez que aprendia algo novo, ao ponto de torná-lo intuitivo, focava-me noutra coisa. E noutra e noutra, sem dar-me conta daquilo que já era intuitivo.

 

O maior foco é aquele em que não estamos a pensar nele. O maior ponto de atenção e concentração é aquele que não requer atenção.

 

Mas o detalhe disto é que temos que ser pacientes para ultrapassar a fase em que temos que dar toda a atenção e foco à nova aprendizagem. Existe um momento em que parece que estamos piores, porque é tudo muito pensado e trabalhoso! Mas depois disso, sem nos darmos conta, chegamos lá. E aí é hora de passar ao Next Step!

 

Persiste, insiste, tem paciência para evoluir, confia no processo, diverte-te com os desafios, aproveita o caminho. Daqui a nada, quando olhares para trás, vais ver o caminho que percorreste.

ENTREVISTA: SELEÇÃO NACIONAL SUB-20 FEMININO

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A DreamAchieve teve o privilégio de poder conversar com as 12 atletas que irão representar Portugal no Campeonato Europeu de Sub-20 (Divisão A), que será em Matosinhos entre os dias 8 e 16 de Julho. Juntas elas partilharam um pouco sobre como trabalham juntas para alcançar os objetivos da equipa.

 

Maianca Umabano - 20 anos

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Carolina Bernardeco - 20 anos 

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 Inês Brandão - 19 anos

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Bárbara Miranda - 19 anos 

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Ana Carolina Rodrigues - 18 anos 

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 Mariana Silva - 18 anos

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Carolina Gonçalves - 20 anos 

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Susana Carvalheira - 18 anos

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Catarina Mateus - 19 anos

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Isabel Costa - 19 anos 

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Ana Carolina Jesus - 17 anos 

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Catarina Rolo - 20 anos 

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DA: Quais são as características do grupo que mais se sobressaem?

U20: A união é a primeira. Também o sermos baixas e termos pouca cor (risos). Num registo mais sério, a nossa capacidade de superação claramente nos distingue.

 

DA: O que faz o grupo tão unido?

U20: Pode ser que nenhuma de nós saiba ao certo!… Aceitamo-nos como somos, convivemos muito nas horas vagas e respeitamo-nos. Somos diferentes e vemos isso como um acrescento ao grupo. Algumas de nós já nos conhecemos há bastante tempo, mas por outro lado, as que estão há menos tempo, trouxeram coisas novas.

 

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DA: Sendo a exigência elevada num contexto de Seleção Nacional, como fazem para superar as adversidades?

U20: Ouvirmo-nos umas às outras facilita bastante o trabalho. Usufruímos muito do nosso companheirismo dentro e fora de campo, e isso ajuda-nos muito.

 

Um outro aspeto é que estamos com o foco no mesmo objetivo, que é coletivo.

 

Se algo não corre bem a nível individual fazemos de tudo para continuar, porque o importante é o papel que desempenhamos na equipa como um todo, e não o que queremos para cada uma.

 

DA: O que é preciso para se ser uma atleta de Seleção Nacional?

U20: Ter a capacidade de aproveitar as oportunidades que nos são dadas para conseguir demonstrar o nosso valor. Isso consegue-se com trabalho, sacrifício, compromisso e responsabilidade. Temos que ser cumpridoras com o que nos é exigido dentro e fora de campo.

Acrescentamos também a humildade, porque é imprescindível ter a capacidade de aprender coisas novas e ouvir correções para podermos evoluir como grupo e como seres individuais.

A entrega à equipa também é importantíssima, para que depois de um ano a representar o nosso clube, consigamos deixar um determinado papel a que estamos habituadas, e vir à seleção assumir, muitas vezes, um outro papel diferente, que a equipa precise.

 

Por último, mas não menos importante, a ambição para querermos sempre mais. A cada treino, a cada jogo e a cada estágio.

 

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DA: Qual tem sido a importância do Treino Mental no desenvolvimento do vosso trabalho?

U20: Tem-nos ajudado muito a pensar de forma diferente. Conhecemo-nos melhor para nos adaptarmos às situações, e com essa nova perceção das nossas reações, conseguimos mudar certos comportamentos de forma a mantermo-nos focadas.

Com essa nova perspetiva que o Treino Mental nos dá, conseguimos ver oportunidades naquilo que antes víamos dificuldades. Por exemplo, o facto de uma de nós jogar menos tempo, antes podia ser motivo de nervosismo, ansiedade ou tristeza, hoje é motivação para aproveitar ao máximo o que nos está a ser dado. Ou, quando fazemos um lançamento decisivo, é muito menos o medo de falhar, do que a confiança de que vamos acertar. 

 

Em vez de pensarmos que vamos errar, conseguimos ver o que podemos fazer de positivo.

 

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DA: Que mensagem querem deixar aos atletas que têm o sonho de um dia poder representar Portugal?

U20: Continuem a trabalhar. Também houve uma altura em que tínhamos este sonho, e com trabalho chegámos aqui. Não basta só ir treinar obviamente, depende sempre de ti fazer mais e melhor. Não te contentes com o que já está bom, trabalha sempre para te superares todos os dias. Sai da zona de conforto! Não te limites às condições do teu clube, e procura mais!

 

Aprende a usar o talento que tens e a enquadrá-lo com a tua forma de trabalhar, descobrindo os teus pontos fortes e investindo neles.

 

O talento não é tudo, muitas que começaram com talento mais novas, hoje não estão aqui. É preciso perseverança e trabalho com dedicação, ter curiosidade para conhecer mais o jogo e não desistir à primeira. Mesmo ouvindo um “não” à primeira, o segredo é continuar.

 

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DA: Com que sensação querem chegar ao final do Europeu?

U20: De missão cumprida. De consciência tranquila de que demos tudo e não podíamos ter feito mais.

 

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Quem é a mais:

 

Brincalhona: Carolina Rodrigues e Catarina Bonito

Sorridente: Catarina Mateus

Distraída: Carolina Gonçalves

Competitiva: Carolina Gonçalves

Comilona: Carolina Rodrigues e Bárbara Miranda

Dorminhoca: Ana Jesus

Rabugenta: Carolina Bernardeco

Faladora: Catarina Mateus

Vaidosa: Maianca Umabano

Viciada no telemóvel: Susana Carvalheira

Disciplinada: Carolina Bernardeco  

Gozona: Carolina Rodrigues e Catarina Bonito

 

 

 

 

 

 

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QUANDO OLHAR PARA TRÁS É BOM

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Diz-se, e eu também digo muitas vezes, que não devemos olhar para trás. Em muitos contextos isso encaixa-se na perfeição, porque a maioria das vezes em que alguém está a olhar para trás, perde o foco do que está à sua frente.

 

Mas tudo é relativo. Tudo depende. E olhar para trás pode ser bom. Pode, dependendo da forma como percecionas toda a situação, ajudar-te a perceber para onde queres ir.

 

Quando tinha 21 anos torci o joelho num treino. Soube na hora que não era coisa boa. Depois de fazer o exame veio o resultado a dizer que o meu ligamento cruzado (e não só) estava roto. Traduzindo, tinha que ser operada e esperava-me uma recuperação de 6 meses. Ia perder a seleção nacional pela primeira vez. Foi difícil mas eu não olhei para trás. Naquele caso nem valia a pena.

 

Fui operada. Recuperei. Fiz fisioterapia durante meses, todos os dias, 4 a 5 horas por dia. Piscina, ginásio, trabalho específico... Estava pronta para recomeçar.

 

Voltei aos campos, mas de tempos a tempos vinham as dores. Era normal, pensava eu. Pelo menos estava a ganhar forma, a recuperar os meus movimentos, sem medo de fazer certas coisas. Mas constantemente tinha de parar um ou dois dias por causa de dores.

 

Essa época passou assim. On e Off. Até que no Verão seguinte voltei a fazer fisioterapia. Queria recuperar totalmente. Sempre a olhar para a frente, esqueci a época que não me tinha corrido assim tão bem...

 

Depois do Verão vem a primeira semana de treinos, e acontece-me algo que não me tinha acontecido nunca... O meu joelho incha de tal forma que nem o consigo dobrar. Até vermelho estava do inchaço.

 

Fui ao médico. Nova ressonância. Novo resultado. Não queria acreditar...

 

Só para quem ainda não me conhece possa entender... Eu respirava basquete, eu comia basquete, eu vivia e amava basquete. Eu dizia que ia jogar até ter que trocar a bola por uma bengala. Se não estava a jogar, estava a treinar, ou então estava a ver jogos na televisão. Era a minha identidade, era onde me sentia eu, onde me sentia capaz de qualquer coisa. Era a minha segurança. Aquele campo era o meu local de paz.

 

Naquele dia, aquele médico acabou com tudo isso. Tinha ficado sem cartilagem durante a época, e até podia ser operada, mas nunca voltar a treinar e a competir ao nível em que estava, nem com a intensidade e regularidade com que o fazia.

 

Olhei para a frente. A primeira pergunta que faço é: "Quando é que me pode operar? Vamos despachar isto!"

 

Quando cheguei a casa, não aguentei. Desmanchei-me em lágrimas. Mas limpei-as e fui, sempre a olhar para a frente.

 

Eventualmente entendi que não tinha futuro no basquete. Que não ia conseguir ser tudo aquilo que sonhava. E se não ia ser aquilo, não queria ser nada. Então abandonei a modalidade, e olhei para a frente. Fiquei cerca de 4 anos sem ver basquete.

 

Mas foi há cerca de um ano e meio, quando alguém me incentivou olhar para trás, quando alguém me fez contar a minha história, que a minha ficha caiu.

 

Desde que tinha deixado os campos, não sabia o que queria da minha vida. Andei de objetivo em objetivo sem nunca sentir-me realizada. Quando isso acontece, o sentimento de frustração e conflito interno é enorme. Discutia muito, arranjava problemas... Não estava bem, não sabia muito bem o que me fazia feliz.

 

Um dia alguém me fez olhar para trás. Quando comecei a rever a minha história, e perceber que tipo de pessoa era quando era atleta, percebi que a Nádia não estava aqui, tinha ficado algures no passado.

 

Foi importante para mim olhar para trás. Meti-me a ver jogos antigos, e vi a alegria, a confiança, o ligeiro ego, a luta e a garra, a vontade, a certeza... Coisas que eu já não sabia o que era. Nem que tinha sido.

 

Quando me fizeram contar a minha história, foi com a seguinte pergunta: "Quando é que foste mais feliz, e porquê? O que perdeste pelo caminho? O que podes recuperar? O que podes fazer hoje com tudo o que aprendes-te ao longo dos anos no desporto?"

 

É por isso que hoje estou aqui. Rodeada de atletas. Rodeada de pessoas que se querem superar. Essa sou eu. Sou pessoa de estar sempre a olhar para o que posso fazer melhor. E sou pessoa de falar sobre o que podemos fazer melhor em conjunto.

 

A exigência que o desporto pede, não se pode pedir em qualquer lado. A superação e sacrifício que existe neste meio, não se vê em qualquer pessoa. A mentalidade de um atleta é diferente de qualquer outra.

 

Só descobri isso porque olhei para trás com os olhos certos. Não sei, mas se estiveres numa fase em que estás à procura daquilo que te faz feliz, pensa nisto. Pensa se, de tanto quereres olhar para a frente, deixas-te coisas importantes para trás.

 

Às vezes as perguntas certas, ainda que seja sobre o passado, trazem-te respostas que mudam totalmente a tua vida. A minha mudou, e de que maneira.

 

Espero ter-te ajudado.