Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

DreamAchieve

Psicologia, Coaching PNL e Desporto

DreamAchieve

Psicologia, Coaching PNL e Desporto

AINDA VAIS A TEMPO!

IMG_1141.PNG

 

Há uns dias lembrei-me de uma conversa que tive com uma colega de equipa, quando tínhamos apenas 14 anos.

 

Eu jogava num escalão acima e estava a ir a estágios da seleção nacional. Ela perguntou-me como é que eu tinha conseguido isso, qual era o meu segredo.

 

Não havia segredo nenhum. Eu tinha crescido mais que a maioria, fazia natação desde os 4 anos, judo desde os 8, e jogava basquete na rua desde os 6. Isso deu-me uma vantagem física natural, porque sentia-me à vontade a fazer desporto.

 

Mas depois comecei a contar-lhe o que fazia e disse-lhe coisas que só recentemente entendi melhor:

 

"Eu passo a vida a pensar em basquete. Vejo um movimento quando assisto jogos da NBA e fico a imaginar-me ao mínimo detalhe a fazer. Imagino desde os pés até à ponta dos dedos. Depois experimento até conseguir. Quando não há treino, vou para as traseiras do meu prédio com a bola fazer os movimentos. Não há cesto nenhum, mas eu finjo que há. Até tenho um vizinho que goza comigo. Gosto de aprender e de perguntar. Pergunto aos bases o que fizeram para driblar bem, aos extremos o que fazem para lançar bem. Também faço outras coisas por minha conta. Salto à corda, corro, sei lá... O que me apetecer! Quero chegar o mais longe possível."

 

O brilho nos olhos dela, à mesma velocidade que surgiu por ouvir-me falar com paixão, também desapareceu por pensar que eu tinha uma porção mágica para ela tomar e também começar a jogar melhor.

 

O interessante deste discurso foi aperceber-me, depois destes anos todos, que usava muito a imaginação e a visualização, que no Treino Mental, são técnicas que comprovadamente ajudam a melhorar a performance física. Ao associar emoções a esses movimentos ou acontecimentos, aumentas a motivação, o foco e consequentemente o teu desempenho. Além de que crias mapas mentais no teu cérebro relativamente ao que queres, para que, quando fores efetivamente fazê-lo, já não te seja desconhecido, diminuindo o tempo de aprendizagem.

 

Obviamente não fazia com as técnicas corretas, mas definitivamente metia muita emoção à mistura.

 

Giro também pensar que eu só me imaginava a atacar com bola, e que aprendi a defender e a atacar sem bola muito mais tarde e muito mais lentamente.

 

Mais interessante ainda deste discurso foi entender também porque é que nem sempre estas técnicas têm a eficácia desejada. Eu ficava a pensar no basquete porque eu era apaixonada pela modalidade. Para mim não era difícil pensar naquilo, era um prazer.

 

Fico a imaginar pessoas a fazer treino diário de visualização e a não gostarem daquilo que "vêm". Ou até gostam, mas não tanto para pensar naquilo todos os dias. Ou até fazem, mas não com aquela emoção.

 

Gostava de dizer-te uma coisa... Talvez já tenha dito isto outras vezes, mas é importante.

 

A Top Performance vem de uma dedicação que requer paixão. Paixão essa que é o combustível para irmos além do esperado. Esse além do esperado não está relacionado ao que outros esperam de ti, mas ao que tu mesmo esperas de ti. Não por comparação, nem por necessidade de aceitação, mas por algo tão interno, que às vezes não consegues explicar.

 

Podes ter toda a ajuda física, técnica, tática e mental... Se for algo que no fundo não te apaixona, nunca será extraordinário. Se fizeres algo que te move dentro de ti, mesmo que ninguém te ajude nem acredite em ti, chegas lá. Imagina então se recorres a ajuda...

 

Podes fazer tudo para tornar-te bom em algo, mas se não gostas do que fazes, se não és apaixonado pelas tuas práticas diárias, se os teus olhos não brilham ao falar do que fazes, acredita, ainda vais a tempo.

 

Ainda vais a tempo de respirar fundo e agir na direção do que realmente queres fazer, e não daquilo que tens que fazer. Ainda vais a tempo de começar um novo caminho. Não há atalhos! Há que começar do início. Mas acredita que estás mais perto de ser feliz quando estás apenas a iniciar um trajeto que te apaixona, do que quando estás estável num que não te diz nada.

 

Não sei que idade tens, em que condições estás, nem o que te disseram. Ainda não é tarde. Nunca é. Vale sempre a pena dizeres que estás apaixonado pelo que fazes.

 

Ainda vais a tempo. Respeita os teus sonhos.