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|| DreamAchieve || Performance Coaching

Psicologia do Desporto e Performance || Coaching Desportivo e Executivo || Formação

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ENTREVISTA: CARLA NASCIMENTO

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A DreamAchieve teve a oportunidade de poder conhecer melhor Carla Nascimento, atleta que representou a Seleção Nacional mais de 100 vezes, e que atualmente compete na Liga Espanhola, uma das mais fortes da Europa e do mundo. 

 

DA: Carla, conta-nos como foi o teu percurso como atleta até hoje?

CN: Comecei a jogar basquetebol com 8 anos. As minhas amigas iam treinar e como não queria ficar sozinha, ia também. Comecei no GDR dos Olhos d’Água e depois passei para o Club de Basquet de Albufeira. Aos 16 anos fui para o CAR Jamor e a partir daí foi uma grande aventura.

Quando saí do CAR, joguei no Santarém Basquet, passei quatro meses numa equipa em Olesa de Montserrat (Liga 2 – Espanha), voltei a Portugal e joguei no CAB Madeira, no Boa Viagem (Açores) e no Vagos. Quando terminei o meu curso, em 2008, decidi voltar a jogar em Espanha. Joguei no Universitario de Ferrol, ADBA (Avilés) e em 2012 cheguei a Cáceres. Houve uma pequena interrupção, na qual fui para Madrid e representei o CREF durante quatro meses (2014), mas voltei a Cáceres.

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Atualmente, sou jogadora do CB Al-Qázeres da Liga Feminina espanhola.

 

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As recordações mais importantes que tenho começam ao representar a Seleção Nacional e incorporar a equipa do CAR Jamor. Depois disso, assinalo ter ganhado a Taça de Portugal com o CAB Madeira, jogar competições europeias também com o CAB e com o Vagos, e já em Espanha, ter jogado cinco “fases de ascenso” à Liga Feminina 1 e ter ganho três vezes.

 

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DA: Quem fala da Carla Nascimento fala de uma excelente colega de equipa, que sempre dá o máximo, com foco e responsabilidade, sem nunca se esquecer de quem a rodeia. Qual foi a mentalidade que sempre te levou a agir desta forma?

CN: Quando era mais nova, sinceramente, não pensava muito nisso. Fazia o que os meus treinadores me diziam. Como sempre joguei na posição de base, sempre senti essa responsabilidade de fazer jogar bem a equipa e tentar tirar o melhor de cada uma das minhas companheiras. O meu treinador Tito Real foi talvez quem mais me exigiu nesse aspeto. Hoje em dia, como profissional, as coisas são diferentes. Mas conservo os mesmos ideais de quando era miúda: fazer jogar bem a equipa e tentar tirar o melhor de cada uma das minhas companheiras. É assim que disfruto do basquetebol.

 

Não me importo de não ter umas estatísticas vistosas se a minha equipa estiver a ganhar.

 

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Talvez se me preocupasse mais com as estatísticas, poderia ter conseguido melhores contratos. No entanto, estou muito contente por ser fiel aos meus princípios e de que existam clubes que me valorizem por isso.

 

DA: O que representaram para ti os momentos de mais alto nível, como competir pela Seleção Nacional, participar em Competições Europeias e jogar no Campeonato Espanhol?

CN: Muitas vezes quando olho para o meu percurso custa-me a acreditar que fiz tantas coisas desportivamente. Quando comecei a jogar nunca poderia imaginar que o basquetebol ia guiar o meu futuro e marcar a minha vida irreversivelmente. Tem sido uma caminhada espetacular. Representar a Seleção Nacional acho que é o sonho de qualquer atleta no seu desporto.

 

É um enorme orgulho ouvir o hino nacional com o escudo do teu país ao peito, rodeada de grandes jogadoras e de grandes técnicos.

 

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Em cada estágio da seleção nacional enchia a minha mochila pessoal de conhecimentos, valores e de grandes aprendizagens, tanto a nivel pessoal como profissional.

As Competições Europeias foram também uma experiência incrível. Tal como com a seleção nacional, tens a oportunidade de jogar contra equipas muito boas, com jogadoras de outro nivel; algumas das quais, admiras pessoalmente e quando as estás a defender tens de te controlar para dar o teu melhor na defesa e não ficares boquiaberta a vê-las jogar.

Em relação ao Campeonato Espanhol tem sido uma grande aventura. Quando cheguei a Espanha, não conhecia praticamente nenhuma jogadora, nenhum treinador e pouco sabia da competição. Agora dou conta de como tudo isso mudou. Joguei as “fases de ascenso” (que referi anteriormente) e vivi momentos inesquecíveis. Ao recordar cada uma dessas “fases de ascenso”, posso ver como fui mudando, amadurecendo e crescendo como jogadora e pessoa. Perdi as duas primeiras (com Avilés e Femenino Cáceres) e depois conseguimos ganhar 3 (CB Al-Qázeres, CREF e CB Al-Qázeres novamente).

 

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Podes perder ou ganhar, mas aprendes sempre.

 

 

E eu acho que aprendi imenso. Lembro-me tão bem das vitórias como das derrotas. Mas o que mais me enche o coração são todas as pessoas que tive a oportunidade de conhecer (jogadoras, treinadores, diretores, etc.) e também o facto de ter encontrado um clube e uma cidade onde me tratam incrivelmente bem. Isso faz com que tudo pareça ainda mais maravilhoso. Porque nesta vida de saltimbanco, chega um momento em que queres sentir que pertences a um sítio e eu tive muita sorte de ter sido tão bem acolhida em Cáceres.

 

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DA: Que aprendizagens do basquetebol levas para o teu dia-a-dia?

CN: A soma do basquetebol, de todos os valores que aprendi e de todas as pessoas que conheci através do desporto fazem de mim a pessoa que sou hoje. Não faço ideia da pessoa que seria se não jogasse basquetebol. Sou como sou pelas experiências, pelas vivências e pelo caminho que o basquetebol me proporcionou. Acho que o desporto, no geral, te dá muito boas ferramentas para a vida: disciplina, responsabilidade, respeito, motivação, trabalhar com outros, lutar por objetivos, saber perder e saber ganhar...

 

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DA: A DreamAchieve promove a importância de temas de Coaching e Psicologia no Desporto. São abordados temas relacionados ao comportamento, motivação, mentalidade, superação, espírito de equipa, comunicação, e muitos mais… Na tua opinião, qual foi a importância destes temas na tua prática desportiva, e hoje na tua vida?

CN: Na prática desportiva é evidente que todos esses valores são fulcrais. A parte mais importante é saber levá-los para o teu quotidiano e aplicá-los a tudo. Se souberes levar os valores do desporto para o teu trabalho ou aplicá-los na vida escolar, por exemplo, podem ajudar-te a ser muito bem sucedida. Penso que na Europa não se dá tanto valor aos atletas como nos Estados Unidos, por exemplo. Mas acho que se derem a oportunidade de um atleta demonstrar o que vale, normalmente, não defrauda. Antes pelo contrário, costuma surpreender pelas suas qualidades e pela sua efetividade.

 

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DA: Se pudesses dar um conselho a todos os atletas que te admiram, o que seria?

CN: Que sonhem! E que lutem pelos seus sonhos. Que pouco a pouco façam dos sonhos objetivos palpáveis. Que alcancem metas importantes e que sejam felizes por isso. Mas é importante aprender a lutar pelo que se quer, saber lutar e estar preparado. Como diz a frase: “Sorte é uma encruzilhada onde preparação e oportunidade se encontram”.

 

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Em apenas uma frase diz-nos:

 

7- Momento mais alto da tua carreira:

Não poderia escolher só um: todas as vezes que vesti a camisola da seleção nacional, jogos de competições europeias, as três vezes que ganhei os play-offs da liga 2 e jogar na Liga 1 em Espanha.

 

8- Pessoas mais importantes no teu percurso:

A minha família, Tito Real, José Leite, Susana Dinis, Ricardo Vasconcelos, Sara Filipe, Alberto Montes, José Moreno, Raquel Hernández García.

 

9- Lugar preferido no mundo:

Por agora são 2: Los Pilones (Valle del Jerte, Extremadura) e Menorca.

 

10- O que queres fazer quando terminares a tua carreira desportiva:

Neste momento, que estou lesionada (fratura do húmero esquerdo – operação com uma placa e dez parafusos), estou a aproveitar para fazer o curso de treinadora de nivel I, pela FEB e já acabei o Mestrado para ser professora de Português em Espanha.

 

11- Frase que te caracterize:

Gosto de muitas. Hoje escolheria estas:

- Vales por tudo aquilo que fazes, mas principalmente pelo que fazes quando ninguém te vê.

- São as tuas atitudes e não as tuas palavras que te definem.

 

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