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DreamAchieve

Psicologia, Coaching PNL e Desporto

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ENTREVISTA: CÉLIO DIAS

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Foi uma grande honra para a DreamAchieve poder conversar com Célio Dias, judoca internacional, que marcou presença nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

 

DA: Célio, como foi até agora o teu percurso como atleta?

CD: Acima de tudo a minha carreira tem sido uma grande aprendizagem e um caminho para mim. Através da minha experiência enquanto atleta de alta competição tenho um contacto muito próximo com diferentes pessoas, mentalidades e padrões de cultura que me enriquecem enquanto ser humano e ao mesmo tempo me tornam uma pessoa mais resiliente e combativa. Comecei a fazer Judo quando tinha 13 anos e quando olho para trás e vejo tudo aquilo que este Desporto me proporcionou (vitórias, derrotas, lições, medalhas…) vejo que sou uma pessoa completamente diferente e transformada no sentido de encarar a minha vida com determinação e responsabilidade. Sempre fui muito educado para me concentrar e focar naquilo que para mim é essencial, a minha carreira e os meus estudos e são duas áreas do meu universo de interesses que nunca descorei. Numa palavra diria que o meu percurso até agora tem sido uma aprendizagem, pois todos os dias, desde que acordo até ir-me deitar, enfrento desafios que me moldam e me tornam num atleta mais forte.

 

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DA: Deves ter vivido momentos de grande responsabilidade nas grandes competições internacionais de Judo (das quais conquistaste medalhas de ouro e bronze) bem como nas tuas participações no campeonato mundial e nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Com que mentalidade te preparaste para esses grandes momentos?

CD: Eu treino todos os dias a pensar nas grandes competições e a lutar contra os melhores do mundo. É uma mentalidade que adquiri desde bastante cedo e que me foi incutida desde cedo pelo meu primeiro mestre de Judo (Vitor Caetano) que nos dizia: “Dos fracos não reza a história”. De alguma forma quero imortalizar todo o meu esforço e dedicação diários, quer seja através das minhas conquistas quer através do exemplo que transmito às gerações de judocas mais novos, com quem tenho a proximidade de trabalhar. Quando estou no tapete dou o meu melhor e isso tranquiliza-me bastante no momento da competição. Nem sempre conseguimos estar ao nosso melhor – sobretudo em termos psicológicos, que na minha opinião é o que faz diferença na competição – mas treinando todos os dias com a mentalidade certa, os objetivos tornam-se mais fáceis e dia para dia vão-se materializando em cada pequena conquista. É um processo extremamente cansativo mas que no fim acaba sempre por compensar. Gosto de pensar que vou entrar numa competição para ganhar. Qual seria o motivo da minha participação? Sempre fui bastante competitivo e tento sempre ser o melhor.

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DA: Que aprendizagens trazes do desporto para a tua vida?

CD: Acima de tudo penso que o desporto me trás três grandes lições.

A primeira, a mais dolorosa de todas, é que não importa o quão aplicado és, o quão o empenhado és ou o quão forte estás num determinado momento… Vai chegar o dia em que vais perder… Isso dói muito, porque num primeiro momento o que acontece na tua mente é a desconstrução de todo o trabalho que tu fizeste, de todos os sacrifícios que tu fizeste… Vai chegar o momento em que vais ter que questionar a razão pela qual continuas a lutar e, na minha opinião, se nesse momento não fores capaz de adicionar um propósito maior e mais profundo do que a tua individualidade, não serás capaz de competir ao mais alto nível e medires forças com os melhores do mundo, pois esses grandes campeões têm essa mentalidade, esse fundamento que é o motivo pelo qual eles lutam e competem.

 

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A segunda lição que aprendi é que o processo de mentalização é essencial, fulcral, na obtenção de resultados práticos – que é disso que se trata a competição; se na tua cabeça não és capaz de te imaginar a bateres de igual para igual com os melhores, muito dificilmente conseguirás alcança-lo na realidade.

A terceira lição que o Judo me ensinou foi, sem dúvida, a humildade necessária para aprenderes com as derrotas e seguires em frente com um acrescento que te vai sustentar nos momentos das grandes vitórias.

 

 

É por isso que choramos quando alcançamos grandes conquistas: elas não são mais do que o somatório de todas as derrotas de que fomos aprendendo ao longo do nosso percurso.

 

DA: O que achas que faz a diferença entre atletas comuns e atletas de elite?

CD: Sem dúvida, a componente mental. Os métodos de treinos estão todos mais do que divulgados, hoje em dia todos os atletas mesmo que a um nível mais inferior, treinam bastante para se apresentar nas suas competições. Para mim ganha a competição quem, naquele dia, for o mais forte mentalmente. Claro que existem fatores externos que não podemos controlar como os árbitros, as nossas condições físicas naquele dia e por aí fora…

 

 

Mas os atletas que a nível mental são mais consistentes e estáveis são aqueles que acabam sempre por se superiorizar nos momentos mais críticos da competição.

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DA: Além de seres um atleta de topo, também estás ligado à moda, e escreves num blogue sobre as tuas experiências, sobre desenvolvimento pessoal, e outros temas muito interessantes. Fala-nos um pouco sobre isso.

CD: Sem dúvida, que é uma das minhas áreas de interesse. Para mim é importante passar uma mensagem positiva para os mais novos e desconstruir a mentalidade de que por sermos “portuguesinhos” não somos capazes de alcançar grandes resultados. Neste momento, estou na faculdade, com treinos bi-diários e a preparar a nova temporada e ciclo olímpico… Portanto, o projeto encontra-se numa fase de restruturação. Mas é um objetivo para ser cumprido num futuro próximo.

 

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DA: Na tua opinião, qual é a importância dos atletas dedicarem-se a outro tipo de atividades além do desporto?

CD: Enquanto atletas nós temos o dever e a responsabilidade de estimularmos a nossa sociedade e contribuirmos para ambientes mais positivos. É importante dedicarmo-nos, por exemplo, à transmissão da nossa experiência aos atletas mais novos, é importante estudarmos (não só porque a nossa carreira é limitada em termos de idade, mas sobretudo porque ao estudarmos estamos também a trabalhar competências que nos são exigidas enquanto atletas de alta competição como a resiliência, a concentração e a motivação). É importante encontrarmos um equilíbrio entre os nossos objetivos competitivos e o desenvolvimento do nosso percurso pós-carreira competitiva.

 

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DA: A DreamAchieve promove a importância do Coaching e da Psicologia no Desporto. São abordados temas relacionados ao comportamento, motivação, mentalidade, superação, espírito de equipa, e outros… Na tua opinião, qual é a importância destes temas na prática desportiva, e na vida quotidiana?

CD: Penso que é necessário esclarecer antes de mais que o Coaching a a Psicologia do Desporto são duas vertentes que se ligam, mas no entanto são diferentes. Enquanto o Coaching é uma área da psicologia e dela se alimenta, o psicólogo tem outras formas e vertentes de trabalhar com os atletas. Eu preferencialmente prefiro trabalhar com psicólogos porque antes de trabalharmos os aspetos que nos poderão tornar mais produtivos é necessário um trabalho mais profundo de desenvolvimento pessoal: conhecermo-nos melhor, perceber como nos comportamos, porque temos determinadas reações e comportamentos… Esse é um trabalho que só pode ser melhor auxiliado com um psicólogo pois tem à sua disposição e conhecimento mais ferramentas que ajudam a trabalham o atleta na sua globalidade e não só apenas na componente do “ser melhor atleta”.

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Na minha opinião, a DreamAchieve é uma excelente iniciativa porque trabalha aquilo que é mais importante num atleta de alta competição: uma mente equilibrada que seja capaz de lidar com o fracasso e aprender com as derrotas, mas que também seja capaz de se manter alinhada e focada na hora do sucesso. Os atletas que decidirem juntar-se a esta iniciativa, com toda a certeza, vão beneficiar e verão os seus resultados muito práticos - aqui é necessário sermos pacientes porque são competências que demoram a ser trabalhadas por estarem intimamente ligadas ao nosso processo de crescimento e perceção do mundo.

 

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DA: Se pudesses dar um conselho a todos os atletas que te admiram, o que seria?

CD: Bem, penso que acima de tudo o mais importante é aprender com os melhores tentando mantermos únicos no nosso processo e desenvolvimento de carreira. Com isto quer dizer que, ler, ouvir, ver como é que os melhores no nosso desporto fazem para se tornarem atletas de referência ajuda-nos a definir objetivos e abrir horizontes. No entanto, neste processo é essencial que saibamos ter a capacidade de não os tentarmos imitar e descobrirmos a nossa própria fórmula do sucesso e temos que ser pacientes nessa busca, na busca da nossa zona de funcionamento ótimo.

 

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Em apenas uma frase diz-nos:

 

Momento mais alto da tua carreira:

Estar presente nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

 

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Pessoas mais importantes no teu percurso:

Família, amigos e as pessoas com que trabalho diariamente.

 

Que profissão gostarias de exercer no futuro:

Psicólogo, embora não esteja certo dá área em que me quero formar.

 

Lugar preferido no mundo:

Japão.

 

O que não pode faltar na tua vida:

Família

 

Frase que te caracterize:

Come on!

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