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DreamAchieve

Psicologia, Coaching PNL e Desporto

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ENTREVISTA: RICARDO VASCONCELOS

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Esta semana a DreamAchieve teve a honra de poder falar com Ricardo Vasconcelos, atual Selecionador Nacional da Equipa Sénior Feminina, e definitivamente um dos melhores e mais reconhecidos treinadores de basquetebol de Portugal.

 

DA: Ricardo, conta-nos porque decidiste ser treinador de basquetebol, e como tem sido o teu percurso a nível de clubes, e como selecionador nacional?

RV: Eu iniciei o caminho de treinador com as equipas de Mini-Basquetebol no Sport Algés e Dafundo. À data, estava a frequentar o 12ª ano (que era composto por apenas 3 disciplinas) e sobrava-me muito tempo livre para quem demorava cerca de 3 horas em transportes públicos para me deslocar ao clube onde treinava. Assim, para rentabilizar o tempo, comecei a dar treinos aos mais novos, que treinavam mais cedo, para depois treinar por dois escalões... Dessa forma, as minhas três horas de transportes públicos eram diluídas em cerca de 4 a 5 horas de basquetebol. Após a experiência com os mini, passei a treinador adjunto dos iniciados masculinos com meu amigo Filipe Alberto. Antes que a segunda época desportiva com os iniciados terminasse, em Dezembro, tive de passar para adjunto das Cadetes Femininas, visto que a treinadora Ana Sanchez estava no último ano do FMH e tinha alguma dificuldade para estar presente em todos os treinos e jogos. Terminada a época, fui convidado para ser adjunto das Juniores e Seniores Femininas, onde trabalhei com o meu companheiro Paulo Nuno Vieira. Só depois iniciei o trajeto de treinador principal de vários escalões de formação e posteriormente Seniores Femininos do SAD. No meio deste percurso treinei também a Seleção distrital de Lisboa e só mais tarde, em 2005, tive o convite do CAB Madeira para ser treinador principal da equipa, que era à data campeã nacional. Mas para abraçar esse projeto teria de mudar toda a minha vida... Aceitei! Nesse mesmo verão, iniciei a minha colaboração com as Seleções Nacionais e a FPB.

 

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O meu primeiro desafio foi com as U18 Femininas, onde fui adjunto do meu bom amigo Eugénio Rodrigues. Mais tarde, também com ele, trabalhamos juntos nas U20 Femininas, e posteriormente quando terminei a minha ligação ao CAB, a FPB convidou-me para trabalhar no CNT de Calvão/Seleção U16 Feminino devido à impossibilidade da continuidade no cargo por parte do Rui Gomes (que foi decisivo no início deste projeto).

 

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Foi um dos mais gratificantes em que tive envolvido. Nele, tive o privilégio e a possibilidade de formar jovens num contexto profissional. Em 2010, fui convidado para ser Selecionador Nacional das Seniores Femininas.

 

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Foi uma grande honra, e ainda o é hoje, pois é uma função que continuo a desempenhar, e que sinto ser um dos maiores desafios da minha carreira. Trabalhar com as melhores jogadoras do país, é um privilégio enorme, muito reconfortante, mas as dinâmicas, as variáveis e as janelas de preparação atualmente são demasiado curtas para as necessidades da equipa... é então inevitável o sabor a pouco no tanto que é trabalhar com elas.... Quando terminou por falta de verba o CNT, voltei às origens, e durante dois anos tive envolvido com a formação do SAD. Após dois anos a treinar juniores femininas, o Illiabum Clube convidou-me para liderar a equipa Sénior Masculina que estava de volta à Liga.

 

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DA: Tens fama de trazer sempre resultados positivos com o teu trabalho, tanto na evolução de atletas, equipas, e também subidas de divisão e vários troféus. Qual a tua mentalidade de trabalho? 

RV:

Acima de tudo, a minha mentalidade de trabalho é acreditar no trabalho!

 

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É sempre das coisas mais difíceis na vida, a auto-análise. Se reparamos no panorama atual da modalidade, todos dizem que esta está muito pior, mas os mesmos todos acham que estão, ano após ano, a fazer muito melhor.... É portanto, fácil entender que existe um problema de análise quando falamos de basquetebol em Portugal. Tentando analisar o meu método, eu diria que acredito num processo de ensino do jogo “da parte ao todo e do todo à parte”... ou seja, treinar basquetebol é como construir e destruir um puzzle, peça a peça, muitas vezes ao longo de uma época desportiva, em que, se existir evolução, o puzzle tem cada vez mais peças, mas não tem necessariamente que ser maior o quadro final... Pode ou não ser, de acordo com o nível dos praticantes vs competição em que estão inseridos. Acredito também, ser fundamental entender que nenhuma técnica é realizável sem um desenvolvimento físico adequado para a execução da mesma, que nenhuma escolha tática é genuinamente feita se não existir um domínio total das varias técnica para executá-la, e, portanto, nenhuma tática pode ser posta em ação se os atletas não têm capacidade de ler e escolher de acordo com as variáveis do jogo...

 

Quando assim é, já “só falta” o mais importante, saber competir, e para isso é fundamental ter jogadores mentalmente saudáveis!

 

Se iniciarmos este processo pelo fim, saber competir, então teremos atletas (não necessariamente atléticos) mentalmente saudáveis, mas não teremos JOGADORES... mas é só a minha opinião...

 

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DA: Nos momentos de maior pressão, é fácil esquecermo-nos dos nossos objetivos principais, e desviarmo-nos para coisas pequenas que nos tiram a concentração. Como fazes para te manter focado, a ti e aos teus atletas?

RV: Estabelecer objetivos para mim é sonhar com algo. É dar corpo a uma ideia. É criar um destino diferente do ponto de partida. Assim, quando o faço, o que me parece fundamental é definir um caminho que me leve até ao destino sonhado. Ao longo do processo, procuro encontrar sinais que me levem a concluir se estamos ou não a ir na direção certa, sendo por certo que muitas vezes não estamos, e, portanto, procuro ajustes ou mesmo novos trajetos. Por outras palavras, o meu trabalho é encontrar soluções para contornar e contrariar obstáculos de forma a chegar onde queremos, e focar-me nelas, nas soluções, é a melhor forma de me manter concentrado. Claro está, que se não tenho consciência de onde estou nem para onde quero ir, qualquer caminho serve para lá chegar…

 

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DA: Por todo o país encontramos atletas que têm admiração por ti, como pessoa e como treinador. Quais os teus princípios para que exista uma boa relação treinador-atleta?

RV: : Honestidade e frontalidade. Tenho para mim que quando trabalho com alguém é fundamental ter uma capacidade de comunicação e diálogo que possibilite dizer o que se espera, onde estamos e onde queremos chegar. Tento desde cedo estabelecer acordos e compromissos de forma a tornar o sonho/destino mais “nosso” e menos “meu”. Exijo o máximo de mim, espero um determinado mínimo deles...

 

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Procuro muito coerência no trabalho do dia a dia! Para mim, a prioridade da minha equipa é sempre, o desenvolvimento individual de cada jogador. Acredito que quanto melhor for o jogador e melhor entenda o seu papel no coletivo mais fácil será a nossa caminhada! Assim, enquanto os meus atletas não deixarem que o seu umbigo cresça mais que o seu cérebro, estarei sempre 100% disponível para os ajudar!

 

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DA: Na tua opinião, quais as 3 características principais de um atleta de sucesso? 

RV: Treinável, auto-disciplina, gostar/saber competir.

 

DA: Qual pensas ser o ingrediente principal para uma equipa funcionar de forma fluida? 

RV: Ideias claras do que procuram em cada situação do jogo. Papéis definidos e aceites pelos atletas. Informação necessário e não demasiada. Por outras palavras, poucas dúvidas e muitas ideias à mistura com algumas certezas!

 

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DA: A DreamAchieve promove a importância da Psicologia e do Coaching no Desporto, bem como de vários temas relacionados. Na tua opinião, qual a importância da componente mental na prática desportiva, e na vida em geral? 

RV: : É, e será, cada vez mais, absolutamente decisivo no desempenho do Ser Humano! Num mundo de aparente facilitismo e grande pressão/exposição social em que vivemos neste momento, acredito que será fundamental o apoio mental no indivíduo desde cedo na sua fase de crescimento. No que toca ao alto rendimento, e neste caso concreto desportivo, já todos os projetos de alto nível tem apoio nesta área, quer no nosso país, quer pelo mundo fora, pois é fundamental ter as cabeças “livres” para poder “preencher” com confiança e positividade, de forma a atingir a melhor performance possível.

 

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Concentração e confiança aparecem como palavras chave num mundo de rendimento, e ambas são parte do cérebro!

 

Em uma frase diz-nos:

 

Pessoas importantes no teu percurso:

Tento sempre ficar com algo de cada um, mas ter tido a possibilidade de estar perto do trabalho de formação desenvolvido diariamente pelo Prof. Jorge Adelino, Prof. Fernando Joia e Prof. Carlos Teigas, fez de mim um privilegiado!

 

Momento mais marcante da tua carreira:

Quando em 2005 me tornei profissional de basquetebol… O basquetebol, aos meus olhos, ganhou uma dimensão diferente...

 

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O que não pode faltar na tua vida:

Amor, da sua forma mais genuína à sua composição mais ética…

 

Conselho a todos os atletas: 

Potencial = Talento + (Capacidade de Trabalho * 10)

 

Frase que te caracteriza: 

“Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, faz com que se sintam humildes”

 

“Apesar de reconhecer o direito a todos de poderem dar a sua opinião, não reconheço capacidade intelectual em todas as pessoas…”

 

 

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