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DreamAchieve

Psicologia, Coaching PNL e Desporto

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HOJE AQUI, AMANHÃ ALI...

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Estive lá estes dias, no pavilhão onde representei a seleção nacional de Portugal pela primeira vez, há 15 anos atrás. Ganhámos apenas um jogo, o que não chegou para passarmos à fase seguinte.

 

Lembro-me da maioria das coisas desse ano... De pela primeira vez não conseguir marcar sequer um ponto num jogo contra a Itália. Também me lembro de outros europeus, onde perdemos contra a Ucrânia por 50 pontos de diferença, contra a Alemanha por 40 pontos, contra a Espanha por 60... Lembro-me de Europeus onde não ganhámos nenhum jogo. Lembro-me de Europeus onde o objetivo era ganhar apenas um jogo. Lembro-me de nem sonhar pisar um dia na Divisão A da Europa...

 

Cheguei a pensar que nunca iria fazer nada de jeito no desporto, que tinha nascido no país errado, que tudo o que fizesse era irrelevante, porque alguém noutro país iria estar a fazer mil vezes melhor... Mas no fundo isso deu-me motivação para treinar mais.

 

Hoje, ao ver outros jogos da Divisão B de sub-18, vi equipas a passar pelo mesmo. Vi equipas a levar 100 ou 80 pontos de diferença de outras. Um basquete pouco evoluído, as miúdas com físicos pouco trabalhados... Ouvi vários comentários do género: "Porque é que estas equipas vêm a Europeus?", ou "O que é que elas vêm aqui fazer?"

 

Parei e recuei no tempo... Lembrei-me que há uns anos éramos nós que supostamente não tínhamos motivos para competir. Quem pensa assim hoje, que não vale a pena, é porque se esqueceu de onde veio, e do que teve que lutar para cá chegar.

 

Imaginem uma maratona, onde uma pessoa que treina todos os dias tem o objetivo de terminar em primeiro. Uma outra que começou há menos tempo um percurso desportivo tem o objetivo de apenas conseguir terminar. E uma terceira tem o objetivo de fazer metade da maratona, pois da última vez só completou 10 Km.

 

Digamos que a primeira, que queria acabar em primeiro, acaba em sétimo. A segunda acaba em último, mas cumpriu o objetivo de terminar. A terceira fez 35 Km, que é bem mais de metade.

 

Quem teve mais sucesso? Quem chegou mais longe ou quem alcançou os seus objetivos, de acordo com a sua condição?

 

O que muitas vezes nos impede de começar algo novo, ou de continuar a lutar por algo, é a constante comparação com os outros. Se eu comecei a subir uma escada agora, obviamente não vou estar tão avançado como alguém que já começou há mais tempo.

 

Mas o facto de ficar a olhar para o que eu não tenho, em comparação ao que o outro já tem, em vez de motivar a trabalhar mais, pensando que um dia também estarei lá, normalmente é o factor que faz alguém desistir.

 

Aquelas equipas, atletas, alunos, pessoas, a quem nós às vezes chamamos de coitadinhas, estão a caminhar o seu caminho. Estão a atingir os seus objetivos de acordo com as suas condições.

 

Como dizia acima, no primeiro europeu que fiz, tive um jogo que não consegui marcar nem um ponto. O último europeu dos escalões de formação que fiz, fui a melhor marcadora da competição.

 

Antigamente Portugal tinha um objetivo, lutar o jogo todo, estivesse a ganhar ou perder por 50 pontos. Depois era ficar acima do meio da tabela, implicando ganhar alguns jogos na competição. Depois foi começar a ir às medalhas na Divisão B, subindo para a Divisão A. Hoje já se fala de ficar entre o oito primeiros na Divisão A.

 

Tu devias fazer o mesmo. Traçar objetivos de acordo com as tuas condições. Isso não impede de que possam ser ambiciosos, mas têm que ser nossos. Porque o facto de eu querer traçar objetivos só porque alguém também os traçou, é logo um presságio para frustração.

 

Quem tem mais sucesso não é necessariamente quem chega mais longe, mas quem consegue ir crescendo dentro das suas condições. Todos gostamos de nos sentir capazes e competentes, mas não ficas super hiper mega competente de um dia para o outro. A competência começa na incompetência, e temos que ser capazes de ir lutando para subirmos na escada da evolução.

 

Querer tudo de uma vez pode ser o motivo pelo qual não consegues dar nem o primeiro passo. Hoje até podes estar aqui, mas com paciência, persistência e resiliência, amanhã já podes estar ali.

 

Até para a semana