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DreamAchieve

Psicologia, Coaching PNL e Desporto

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INSATISFEITO COM QUÊ?

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A primeira vez que fiz uma competição europeia com a seleção de seniores, ia como uma criança. Tudo era bom, tudo era espetacular, tudo era novo...

 

Depois das primeiras semanas de treino, sendo eu uma das mais novas, não me destacava muito nos treinos, então comecei a ficar insatisfeita. Queria treinar mais tempo, queria poder fazer ginásio, queria fazer mais, chegar antes, sair depois... Andava incomodada porque queria mais!

 

Não estar satisfeita com o que tinha, não queria dizer que não estivesse grata pelo que já tinha alcançado. Aliás, é a junção da gratidão pelo que já tinha alcançado (no caso era ter ido à seleção de seniores), com a insatisfação que surge por estabelecer um novo objetivo (querer agora destacar-me nessa seleção), é que mantinha o motor da evolução a funcionar.

 

Só que entretanto, do outro lado da equipa, havia uma colega minha que também andava insatisfeita. Mesmo mesmo insatisfeita! Ela não era como eu, que ficava calada... Ele falava todos os dias de manhã da sua insatisfação, em voz alta para todas ouvirmos.

 

Ela falava muito sobre como os descansos não eram suficientes, que a comida não era suficiente, que não tinhas tempo nenhum para ir a casa, e que achava que treinávamos demais.

 

Para mim era difícil entender... Como é que eu andava a querer mais, e ela a querer menos?

 

O ser humano tem isto, o de estar uma grande parte do tempo insatisfeito, o que não tem mal se eu souber dar direção a essa insatisfação.

 

Há pessoas que estão constantemente insatisfeitas e felizes, e outras insatisfeitas e infelizes.

 

A insatisfação pode ser uma excelente motivação para quem está disposto a agir de acordo com ela. Nós não conseguimos não querer nada, queremos sempre alguma coisa. E quando a alcançarmos, vamos querer outra maior. Vivemos assim, de degrau em degrau.

 

Mas quando juntamos insatisfação com falta de vontade de sair da zona de conforto, tornamo-nos negativos.

 

Lembro-me perfeitamente de naquela altura me deixar influenciar pelos comentários negativos da minha colega que andava insatisfeita porque queria fazer menos, e perdi a minha insatisfação por não estar a fazer mais.

 

Deixei-me ficar como estava e não fiz tanto quanto podia. Pior... Como dizia acima, o ser humano está, na maioria do tempo, insatisfeito com alguma coisa, se não é como una coisa é com outra. Só que quando perdes o foco da insatisfação positiva, vem uma negativa. Eu comecei a ficar insatisfeita com coisas que não me ajudavam em nada.

 

Não há problema nenhum em estares insatisfeito. Analisa é se essa insatisfação te pára ou te move. Se te impulsiona ou te trava. Se te chateia ou te motiva. Se te faz pior ou melhor.

 

Se a tua insatisfação está ligada ao achares que está tudo mal, que as coisas não deviam ser assim, que o governo, os clubes, as federações, o desporto, os treinos, o ensino, as pessoas, a cultura e a mentalidade está tudo mal... E por consequência achas que não tens que fazer nada até outros fazerem, secalhar é hora de mudares.

 

Se a tua insatisfação está ligada ao quereres sempre mais, ou saberes que podes todos os dias fazer melhor, ou teres consciência que tudo em ti pode melhorar... Aí sim! Guarda e agradece à tua insatisfação, porque é ela que te vai impulsionar a ser diferente dos outros.