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|| DreamAchieve || Performance Coaching

Psicologia do Desporto e Performance || Coaching Desportivo e Executivo || Formação

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NÃO PENSES, FAZ!

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Há uns dias atrás meti-me a lançar ao cesto. Deixei de jogar há 8 anos e há quase 2 que não pegava numa bola. Isto quer dizer que há mais de 8 anos que não treino intencionalmente este movimento, e das últimas vezes que lancei - há quase dois anos - foi sem preocupação de melhorar ou sem intenção de marcar.  

O interessante é que, sem pensar no movimento e sem sentido competitivo (ok, talvez algum) o meu movimento saiu igualzinho ao lançamento dos meus tempos de jogadora. Fiquei a pensar porque é que atletas que treinam todos os dias, duvidam dos seus movimentos, tendo necessidade em momentos de maior stress, de alterá-los. 

 

A verdade é que, quando aprendes um movimento, depois de o repetires tantas vezes, já não precisas de pensar sobre os detalhes dele para o realizar. 

 

Trabalho diariamente com atletas que são constantemente sujeitos a pressão e exigências de resultados, e quando os eles têm competições mais difíceis, têm tendência a ficar mais nervosos, ansiosos e duvidosos de si mesmos. Essas dúvidas fazem com que eles pensem que secalhar têm de lançar ou rematar de forma diferente. Que têm que se aprimorar de alguma forma, que têm que se esforçar muito mais. 

 

Este fenómeno, chamado commumente de “Ovethinking” faz com os atletas tenham dificuldades em realizar movimentos que normalmente lhes saem de forma tão natural, pois estão a pensar em algo que normalmente na pensam. A dúvida, nesses dias de competições mais renhidas, faz com que comecem a (re)pensar sobre todos os seus passos e movimentos, tornando-nos pouco naturais. 

 

Por isso é que em situações de stress por vezes parece que nos esquecemos de como fazer as coisas que diariamente nos parecem tão simples. 

 

O nosso cérebro trabalha com associações. Ele cria ligações entre desafios e soluções para que tenhamos o menos trabalho possível ao pensar em estratégias. (Por vezes isto é ótimo, por vezes nem tanto - daqui nascem os hábitos, bons e maus).

Já que temos esta capacidade, no desporto podemos aproveitá-la para não ter que pensar tanto naquilo que já nos saí de forma natural, ficando com a mente mais livre para, por exemplo, a tomada de decisão, durante a competição.

 

Assim, num jogo de futebol, ao fazer um passe, o jogador só tem que pensar onde quer meter a bola, não tem que pensar na colocação do pé ou na posição do corpo. 

Num jogo de basquetebol, o base ao driblar, não está a pensar nos detalhes dos dribles e mudanças de direção, está a pensar que jogada indicar à sua equipa a seguir. 

Os detalhes dos movimentos (remate, lançamento) são para ser pensados depois, em momentos de treino e aprendizagem, não no momento de competição. 

 

Diz-se a nível da neurociência do comportamento que “O maior foco é não estar a pensar em nada”. 

 

O termo “Estado de Flow” define-se também por termos as nossas capacidades ao nível dos nossos desafios (sendo que os desafios são altos e as capacidade também), sem estar a pensar com esforço sobre o que temos que fazer a seguir. 

 

Aqui entra também a confiança. A confiança de que treino o suficiente para conseguir fazer determinado movimento. A confiança nas minhas habilidade. A confiança de que estou preparado(a) para o desafio que está a minha frente. Mas como costumo dizer aos meus atletas, mesmo que não aches que treinaste o suficiente, mesmo que aches que não tens a habilidade necessária, ou mesmo que aches que não estás ao nível do desafio apresentado, pensa assim - “Não há mais nada que possa fazer neste momento (competição) para estar mais preparado do que estou agora. Então bora!” 

 

Se depois da competição achares que precisas de melhorar, aí podes pensar sobre o que fazer para melhorar os detalhes. 

 

Mas durante a competição é “Go Time!”.