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|| DreamAchieve || Performance Coaching

Psicologia do Desporto e Performance || Coaching Desportivo e Executivo || Formação

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OS LIMITES SÃO MENTAIS, NUNCA REAIS!

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Estávamos em pleno estágio da seleção de sub16, no pavilhão da FMH (Faculdade de Motricidade Humana). Só quem treinou naquele lugar sabe o bafo que está lá dentro no Verão, parece um microondas.

 

Já estávamos no terceiro ou quarto dia de estágio, no segundo treino do dia, e depois de 1:20 de treino, a Isabel e o Rui dividiram duas equipas e começámos a fazer jogo. Eu já não era grande defensora, e estava arrebentada. As minhas pernas tremiam já..

 

Um contra um e a minha adversária marcou, na vez seguinte levei um corte nas costas..

 

A Isabel parou o treino, com aquele assobio característico, irritadíssima. Quando ela falava irritada, o cabelo curtinho dela abanava todo, parecia que falava com o corpo todo!

 

"Nádia, se eu não te vir a defender com o rabo a um palmo de distância do chão, eu juro que vais correr meia hora depois do treino!!" Disse isto com a mão dela bem aberta, para tornar aquela distância ainda mais real!

 

Não me lembro bem, mas acho que não dei muita importância. Como é que eu ia correr meia hora depois de já ter treinado de manhã, e estar a fazer mais um treino de duas horas? Loucura...

 

Acaba o treino, atirei-me para o chão, para tirar as sapatilhas. Já só pensava em banho, jantar e cama!

 

Quando começo a desatar os atacadores, o Rui, com um sorriso maléfico, pergunta-me "O que estás a fazer?" Eu fiquei a olhar para ele... E ele faz-me um gesto de círculo, com o dedo indicador, e diz: "Bora! Meia horinha!" E eu a rir e a tirar a primeira sapatilha.. A Isabel passa e o Rui confirma com ela.... Hora do castigo.

 

O Rui meteu o cronômetro a contar e começou a primeira volta comigo, para marcar o ritmo. A Isabel ficou sentada a ver o treino da seleção masculina, que entretanto tinha começado a treinar.. E eu a correr à volta do campo. Que horror.. Que vergonha..

 

Nas últimas voltas acho que já ia a arrastar os pés, o Rui deu-se conta e começou a correr comigo...

 

Ele era na altura treinador do CPN, equipa vencedora do campeonato nacional. A minha equipa, CIBA, tinha ficado em segundo.. Tínhamos perdido na final contra ele.

 

O Rui fez-me voltar àquela final nacional, fez-me entrar naquele campo.. E enquanto corria ao meu lado disse: "Imagina que ainda estás naquele jogo, e que ainda tens hipóteses de ser campeã nacional.. Mesmo cansada, o que farias agora?"

 

Eu comecei a lagrimejar, mas aquilo deu-me forças para cumprir a meia hora de corrida.

Terminei!.. E ele fez mais uma pergunta que por vezes me vem à memória quando penso que não consigo fazer algo: "Achavas que conseguias?" Eu respondi que não.. Ele disse-me:

 

"Tu és capaz de muito mais do que aquilo que pensas!"

 

Verdade. Eu desistia antes mesmo de tentar. Eu só fazia o que já estava habituada a fazer.

 

Os limites são mentais, nunca reais!

 

Fiquei em modo deprê até me ir deitar... Fiquei imenso tempo na cama, vestida e de chinelos, em cima dos lençóis sem me poder mexer...

 

Entra a Isabel! (Música dramática a tocar na minha cabeça)

 

Ela olhou para o meu estado e perguntou-me se eu queria ajuda para meter o pijama. Eu disse que não era preciso, mas continuava imóvel.

 

Quando dou por mim, está a Isabel com o meu pijama na mão... Eu, as minhas colegas de quarto e a Isabel começámos a rir..

 

Mesmo dentro daquele "castigo" todo, que se transformou numa lição, eu vi o quanto eles acreditavam em mim. Aquele cuidado, até hoje, não foi em vão..

(Foto: Estágio na Bélgica, sub16, em 2002)