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Psicologia do Desporto e Performance || Coaching Desportivo e Executivo || Formação

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PASSA-ME A BOLA!

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Uma das coisas que nos faz amar o que fazemos, é ter uma noção de auto-competência em alta consideração. Traduzindo, gostamos de ser bons no que fazemos. Quando isso não acontece, ou por algum motivo começamos a perder talentos, começamos a ter vontade de desistir. Por outro lado, quanto melhores somos em alguma coisa, mais queremos investir nesse caminho.

 

Isto é ótimo, mas podemos também correr o risco de nos esquecermos dos nossos objetivos iniciais.

 

Já contei aqui uma vez sobre como foi o meu último europeu de sub-20. Até há bem pouco tempo era algo que tinha muito orgulho em contar porque acabei como melhor marcadora... Mas (e que grande mas), andámos a lutar para não ficar em último lugar.

 

Centrei-me tanto em mim, no que eu queria fazer, no que eu queria alcançar, que me esqueci da minha equipa. Eu queria fazer um grande último europeu, eu queria fazer uma grande prestação internacional, o que acabou por acontecer. Mas não tendo a capacidade de influenciar quem me rodeia, até aquilo que faço de muito bom é abafado. Não serviu de nada. Não mudou nada.

 

Esta foto mostra como eu tinha vontade de receber a bola. Acho que no fundo achava que as coisas só funcionavam se a bola passasse por mim. Se assim não fosse, ainda que corresse bem ao grupo, já não ficava satisfeita.

 

Tentei convencer-me que era pela equipa, mas não era. Dizia que queria ser melhor para ajudar a equipa a ganhar. Mas na maioria das vezes, no fundo não era bem isso.

 

A prova disso, no meu caso e no de toda a gente, é o que acontece nos momentos maus. Lembro-me que, nesse meu último ano, tive fases em que as coisas não me corriam bem, e nessas alturas eu ficava chateada, amuada e isolada. Ora, se o objetivo fosse ajudar a equipa, eu não ficava chateada, eu continuava a ajudar a equipa.

 

As nossas verdadeiras intenções mostram-se de facto nas nossas reações ao erro, e não nas nossas palavras ou quando tudo corre bem.

 

Se a minha intenção é ajudar a equipa, os meus erros pessoais, e a minha prestação pessoal não é o centro das minhas atenções. É sim apenas mais um meio de alcançar o objetivo coletivo. Se esse não estiver a correr bem, há outras coisas que posso fazer.

 

Para fazer parte de uma equipa há que "passar a bola". Há que entender que as coisas às vezes vão correr bem sem mim, há que entender quando é hora de dar um passo atrás, de dar oportunidade a outra. Há que ter coragem para entender quando é que não é a minha vez, porque quando se faz parte de uma equipa, ela é sempre maior que eu, e que os meus desejos.

 

Numa equipa, equipa a sério, no verdadeiro sentido da palavra, eu tenho que ter capacidade de entender que, num treino por exemplo, um erro meu pode ser o acerto de alguém. Cabe-me a mim escolher entristecer-me pelo meu erro, ou ficar feliz pela equipa.

 

Por vezes terei que ficar no banco, porque outra encaixa melhor naquele jogo. Cabe-me a mim escolher ficar triste por mim, ou apoiar a equipa.

 

Por vezes, num grupo, há um que lança e outro que bate palmas. Nunca ninguém especificou o que é mais importante. Somos nós que normalmente chegamos a essa conclusão.

 

Lembra-te que, se a equipa não chega longe, tu também não chegas. Mas se a tua atenção estiver no grupo, provavelmente vais fazer a diferença na vida de todos os que fazem parte dele.

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