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|| DreamAchieve || Performance Coaching

Psicologia do Desporto e Performance || Coaching Desportivo e Executivo || Formação

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SÉRIE: ANGOLA COMO ELA É - Parte 2

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PRIMEIRAS IMPRESSÕES

 

Aterrámos em Luanda. Das poucas coisas que me lembrava da última vez que tinha estado em Angola, há 17 anos, era do bafo de calor que se sentia assim que se saía pela porta do avião. Assim foi...

 

Passámos o controlo, depois de um ligeiro debate que tive com o senhor que revê os boletins das vacinas.

 

Descobriu-se há pouco tempo que a vacina da febre amarela é vitalícia. No centro de saúde em Portugal, apenas carimbaram o meu boletim a informar isso mesmo, que já não precisava de vacinar-me outra vez, pois eu já tinha tomado quando era mais nova.

 

O senhor revisor achava que não era bem assim, que o departamento de saúde português (como ele referiu) estava errado, e que eu ia apanhar febre amarela. WHAT? Lindo... era mesmo o que eu precisava de ouvir a entrar num país tropical.

 

Enfim, a minha mãe acalmou-me, explicou-me e continuámos...

 

Chegámos aos tapetes para recolher as malas... A primeira coisa que se faz é ir buscar um carrinho. Ou neste caso 4 carrinhos, porque viajámos com 11 malas... Só que... não havia carrinhos!

 

"Senhor bom dia. Por favor, onde posso conseguir carrinhos para as malas?" O senhor disse que já vinham..

 

Já vinham? Acabaram de chegar 2 voos com cerca de 200 pessoas cada um... e não há carrinhos.

 

De repente forma-se uma fila. Fila para conseguir carrinhos... Ao início só queriam dar carrinho a quem pagasse "gasosa" (termo usado para quando se dá dinheiro por fora), depois de tanto se reclamar, deram de graça, mas só davam um a cada pessoa.

 

A minha mãe na fila há 20 minutos, e só lhe querem dar um carrinho! Eu fui disparada já a ficar chateada, e disse só senhor: "Olhe desculpe, nós temos 11 malas, precisamos de mais carrinhos!" Ele deu-nos 2.

 

Nunca lutei tanto por carrinhos...

 

A minha irmã voltou para a fila pra conseguir mais um... aí está ela:

 

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Duas horas de espera pelas malas, e finalmente saímos! Vemos o meu pai, e o meu tio que estava à espera da minha tia e primas que também vinham de Portugal.

 

Enquanto nos abraçamos, dou-me conta de que havia 3 rapazes a seguir-nos, e a competir para nos ajudarem a levar os 3 carrinhos com as 11 malas para o carro do meu pai. Queriam "gasosa", então ajudaram-nos a pôr as malas no carro!

 

Aqui estão eles:

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Foi uma confusão para meter aquelas malas todas no carro.. Quase não cabiam! Eles punham, ficavam duas de fora, tiravam, voltavam a pôr.. Competiam entre eles ao mesmo tempo que se ajudavam. Eu apreciava e sorria... e tirava fotos!

 

Quando estávamos prontos para ir, os rapazes pediram "boas festas". Significa "gasosa", mas com mais um extra, por conta das festas.

 

Para fechar a nossa chegada, aproximou-se um senhor mais velho, que disse ao meu pai: "Chefe, eu não ajudei, mas também tenho que comer... Dá-me já só também "boas festas" a mim!

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Rimos! Entrámos no carro, fomos para casa. Um voo que aterrou às 7:00, e já eram 9:30...

 

Durante a viagem apreciava a paisagem e vi como tudo estava tão diferente de como me lembrava...

 

Repassei na minha mente a manhã caricata que estava a ter, e pensei na necessidade que as pessoas tinham que estar a passar para agirem daquela forma. Pedir dinheiro por um carrinho, por ajudar com as malas, por não ter o que comer...

 

Em poucos minutos, o que era caricato transformou-se em compaixão, atenção, e curisosidade... e comecei a olhar para as ruas com um novo olhar.

 

O que vim a aprender, mudou a minha forma de ver as pessoas, as culturas, e o mundo...

 

Até amanhã

Nádia Tavares